Um dos maiores problemas de empresas que não deslancham ou começam a declinar é a sua miopia quanto à sua realidade. Uma névoa densa cobre os olhos da diretoria, que contamina todo o ambiente. Algo que parece inofensivo, mas vai aos poucos se emaranhando nas percepções, ações e funções da empresa: a arrogância da experiência.
“Eu comecei assim, deu certo até aqui e vai continuar dando certo…” é uma expressão caricata, mas quantas vezes não vemos isso acontecer, inclusive com empresas enormes, que têm verba e valor de marca suficiente para se manterem no páreo para sempre? Varig, Mesbla, relógios suíços e diversas marcas de roupa, aparelhos eletrônicos, empresas de todos os segmentos e tamanhos, podem sucumbir a esse veneno letal que age aos poucos, até o momento onde qualquer tratamento torne-se em si um risco de vida.
Tudo no mundo, incessantemente, não pára de mudar. Um velho ditado tibetano ilustra isso de uma forma muito cotidiana: “nunca lava-se a mesma mão, na mesma torneira, na mesma água”. Tudo está em movimento, pulsando e interagindo numa sucessão de causas e possibilidades que beiram o caos devido a sua enorme complexidade. Se você, agora, não é o mesmo do ano passado, já que milhões de células, emoções, pensamentos, conhecimentos e impulsos nasceram e morreram dentro do seu corpo/mente, imagine a reunião de todas essas pessoas numa sociedade e seus reflexos em todos. Reflexos esses que tornam-se tendências, novos mercados e microscópicos nichos, cada qual com suas particularidades, oportunidades e adaptabilidades às condições que se apresentam. Perceba como torna-se ineficiente uma visão estática dessa realidade pulsante e camaleônica.
Mas como se prevenir? Descubra as novas perguntas do seu segmento e responda-as. Simples de falar, complexo de executar, mas é a atitude mais saudável para empresas que querem manter-se vivas e com ótima performance. Entenda, antes de todos se possível, quais as mudanças que alteraram o cotidiano e a utilização do seu produto, pois quando mudam-se os problemas, é necessário oferecer novas soluções e gerar novas leis.
Um exemplo atual dessa transitoriedade é a produção, comercialização e a forma de se ouvir música com as novas tecnologias e conceitos que se apresentam hoje. Estamos à beira de uma verdadeira quebra de paradigma, anunciada há muitos anos, mas que vem acelerando cada vez mais, num ritmo tão frenético que elefantescas e ricas gravadoras estão de cabelo em pé e tentando, das formas mais histriônicas possíveis, manter uma dinâmica de negócio que não funciona mais, abrindo brechas para novas iniciativas que contam com poucos investimentos, mas uma visão muito mais atualizada da realidade.
Para pequenas empresas, momentos como esses são pontos de alavancagem que podem, em curto espaço de tempo e com pouco investimento, construir verdadeiros impérios, se souberem responder corretamente às novas perguntas que a situação exige, com a certeza de que, mais à frente, novas perguntas sempre surgirão.
A esfinge do mercado continua nos encarando e desafiando: “decifra-me ou te devoro”.